sábado, 7 de março de 2015

Frases e momentos Especiais

Olá.

Faz um tempo que eu não passo por aqui. Tanto tempo que nem me dei conta.

Gostaria de deixar algumas frases/partes favoritas minhas do La Viratta para vocês.

"– Murphy está com umas idéias. Coisa boa. Quer dizer... Sinceramente, Peter, você sabe que seu trabalho no porto sempre foi uma droga, carregar navios com contêineres... É simplesmente tudo muito entediante.
                 - Assim você me anima – ao responder isso os olhos de Peter eram de um tédio completo e absoluto. Realmente o trabalho no porto é uma penúria, mas não era necessário que Phil ficasse enfatizando isso, mesmo que fosse verdade." (pgs 16 e 17)


"“I know H.T.M.L. (How to meet ladies)”. " (pág 23)

"- Peter, venha cá, vamos conversar sobre isso – tentou Phil. Peter finalmente lhe deu ouvidos. O amigo sabia que aquela iria ser a última oportunidade para argumentar com Peter, então tinha que convencê-lo de uma só vez." (pg 26)



"Assim, Phil pôde reabrir o livreto com tranquilidade e voltar a escrever sobre tudo o que acontecia. Porém a escrita foi interrompida pelos resmungos em reclamação ditos por Peter.
- Eu queria que ele ficasse calado – reclamou Phil para Murphy, que respondeu:
- Para você poder se concentrar e conseguir escrever no seu diário?
- É o diário de bordo! – mentiu Phil, irritado, porém ele não enganava ninguém: era notório que, desde a infância, Phil mantinha um diário pessoal, com os relatos da vida dele.  " (pg 30)

"- É isso mesmo que você ouviu, pirata. O ano é 1435. Posso ir embora agora? " (pág 37)

"- Não me obrigue a lhe dar um murro, seu apoucado!
- Gostei dela – sussurrou Cody. Phil e Peter apenas olharam para ele com uma interrogação enorme estampada nos rostos. – Ah, ela chamou o Murphy de idiota, imprestável, mesquinho e burro, tudo ao mesmo tempo.
- Nossa! Resumiu o Murphy em uma só palavra.
- Isso é que é ter poder de síntese – comentou Peter, ouvindo a garota gritar outras palavras estranhas. " (pg 37)


"Devagar e com passos pesados, o Capitão dá a volta na mesa redonda. A bota bateu firme no chão e ele parou bem em frente à Cody.
- Eu não quero saber o nome que têm. Afinal, de qualquer forma darei apelidos a todos os que vierem compor meu navio.
Ao ouvir a expressão “meu navio” Melody ia abrir a boca, mas rapidamente Ultan agiu colocando lhe um canecão de cerveja na boca, fazendo-a engolir o conteúdo. Por sorte o Capitão estava tão concentrado colocando medo em Cody que nem percebeu a movimentação, apenas continuou a falar:
- O que desejo saber são tuas habilidades. Quero saber o que tens a oferecer. O que tens a oferecer não só ao navio, mas também aos companheiros de viagem. És magro, medroso e, com certeza, desajeitado. Um erro, pirata, um erro que cometer mataria mais da metade da tripulação, quiçá, naufragaria o navio. E toda essa perda acontecerá se não for hábil em alguma coisa e isso independe do nome que tu tens.
O silêncio reinou ali, apesar dos sons que ainda ecoavam na taverna cheia. Cody engoliu em seco.
- Quais são tuas habilidades?
- E-eu... – Cody engoliu em seco mais uma vez. – Eu sei programar em C++ e COBOL, já fiz retoque de programação em uns jogos para algumas empresas, sei HTML – ele aponta para a própria camisa – flash, Java, programei vários games para celular e...
O rosto do Capitão refletia um ponto de interrogação imenso, quando Murphy interveio:
- Capitão Seán... Cody bebeu muito hoje, ele estava nervoso sobre... Bem, sobre toda essa coisa de conseguir um trabalho no seu navio. Sabe como é, ele está... bêbado.
- Então o que significa tudo isso que ele disse? – perguntou o Capitão, para Ultan.
- Capitão... Ele... – Ultan disse, sendo interrompido por Murphy.
- Capitão, a questão é simples – Murphy segura Cody pelos ombros e começa a falar como se fosse um vendedor numa concessionária mostrando um automóvel – Cody é simplesmente o melhor navegador que você jamais conheceu ou conhecerá em toda sua vida. Ele faz cálculos, planeja as melhores rotas e é especialista em navegação noturna.
O Capitão pareceu desconfiado e examinou o garoto.
- Certo. E tu? O que fazes? – inquiriu.
- Trambiqueiro de plantão – resmungou Phil sob o olhar de Murphy que fuzilava o amigo.
- Capitão, eu sou bom de mira.
- Ótimo! – disse o Capitão Seán levantando as mãos – Graças a Deus! Finalmente alguém que presta. E tu, barrigudo? Cozinhas, creio eu.
Murphy soltou uma gargalhada que foi acompanhada pelo Capitão e pelas damas que o seguiam. Elas se levantaram e ladearam Murphy, acariciando-o na bochecha e nos ombros.
- É, eu cozinho muito bem – disse Phil, só para constar. Era um bom marido e fazia boa comida." (pgs 60 a 62)



"- E você, pequeno?
Os olhos negros do Capitão Seán finalmente encontram os cor de mel da garota. A sensação era estranha para Melody: ver aquele homem perguntando as habilidades dela sem nem sequer saber o que a garota estava planejando... Sem nem sequer saber quem ela era... Aquele homem que a carregou no colo tantas vezes e que lhe contava histórias para dormir ou a acalmava quando ela ouvia os gemidos de dor do pai enquanto ele era curado pelo boticário. Melody não o via fazia alguns anos, mas ele continuava o mesmo. Ela, entretanto, mudara consideravelmente.
- Mário é mudo – disse Ultan, por fim.
- Mudo? Como assim mudo?
- Ele não fala...
- Eu sei o que é um mudo, Ultan! – o Capitão ficou irritado. – E eu e você sabemos muito bem que é imponderável ter um mudo na embarcação! Quer dizer, é falando que nos comunicamos no navio!
Todos olharam para Ultan, recriminando-o por sua brilhante e, ao mesmo tempo, estúpida ideia de falar que Melody era muda. Mas uma coisa Melody realmente era: inventiva. Dando um passo à frente, ela desembainhou as duas espadas. O Capitão ficou na defensiva, entretanto habilmente capturou uma das espadas que Melody lançara no ar. O rosto intrigado do Capitão contrastava com o de Melody, desafiador.
- Então... – o Capitão fez um movimento circular empunhando a espada – Mostre-me do que é capaz.
O corpo veloz da garota se adiantou, o Capitão Seán deu um salto para trás e ambos saíram do local privativo da taverna. Os corpos passando por entre as cortinas velhas da área privativa da taverna parecia a indicação do início de um teatro. Do outro lado da taverna, Tadhg, ajudando Peter a descer o último lance da escada, viu a movimentação.
- Que comece o espetáculo – ele balbucia olhando a luta, admirado. Peter faz o mesmo. Era incrível.
As espadas dos dois roçavam enquanto iam-se movimentando pela taverna. Era como uma luta de esgrima, o que ficava bem claro pelo modo como a garota posicionava as mãos e pés. O Capitão parecia estar se divertindo com a iniciativa do candidato à tripulação e inicialmente só se defendia das estocadas que Melody dava. Uma, duas, três. Não demorou para o Capitão aprender a ordem da movimentação da garota. Eles já tinham atravessado um terço da taverna e os piratas, trabalhadores e camponeses levantavam as canecas e gritavam, torcendo pelo Capitão.
- Cap Seán! Cap Seán! Cap Seán!
De longe, Peter notou que o rosto de Melody ficou irritadiço ao ouvir a cantoria dos presentes. O Capitão pulou para trás subindo de costas em cima de uma mesa enquanto a hábil Marie subiu na bancada, esbarrando em algumas canecas de cerveja. Os pés da garota estavam bem posicionados quando ela saltou para cima da mesa onde estava o oponente.
Sobre a mesa, os dois estavam lutando e girando como numa caixinha de música muito veloz. Assim que Seán ia se aproveitar da movimentação da garota, ela notou o fato e modificou o padrão de ataque. Rapidamente o Capitão mudou da defesa para o ataque e ela se assustou. A espada da garota caiu no chão girando e, neste momento, Melody demonstra as habilidades acrobáticas que possuía: ela segurou o espaldar de uma cadeira e passou por cima dela fazendo uma espécie de salto mortal tentando chutar o queixo do Capitão neste meio tempo, mas ele se afastou facilmente.
- Não! – Tadhg assustou-se quando a cadeira inclinou de um jeito que não daria tempo de Melody escapar ilesa.
A cadeira tombou e a garota disfarçada também caiu estatelada no chão. O Capitão dava risada de cima da mesa e, descendo para o chão, ele ia cravar a espada no peito de Melody, mas ela girou no chão e, com o pé, conseguiu jogar a cadeira para o alto fazendo com que o Capitão saísse de cima do corpo dela estirado no chão. A garota pegou a cadeira e se levantou.
Aquilo agora parecia uma dança. O Capitão atacava pela direita e pela esquerda enquanto Melody se defendia com a cadeira, andando para trás. Os piratas e outras pessoas que estavam na taverna movimentavam-se como um enxame, deixando-os passar até que Melody ficou presa contra a parede. Com um sorriso sarcástico, novamente o Capitão tentou dar o golpe final na garota, mas ela virou a cadeira que ainda segurava. O braço do Capitão entrou por entre as pernas da cadeira e Melody segurou firmemente o braço dele.
Ele não conseguia se soltar. Ela apenas se jogou por debaixo das pernas dele, puxando-o. O Capitão ralou o nariz e parte do rosto na parede enquanto a garota deslizava por debaixo dele. A cadeira ficara retida nas canelas de Seán: estava morrendo de dor. Tropeçando, a garota alcançou a espada caída no chão enquanto o Capitão se livrava da cadeira. Todos os presentes ainda torciam pelo Capitão.
- Pegue ele, Capitão! – gritou um no meio da torcida, achando que Melody era mesmo um homem.
- Faça honrar o La Viratta!
- Mata! Mata! – gritava um pirata mais insano.
Melody ficou novamente em posição de ataque e esperou o Capitão virar-se de frente: ela nunca atacaria alguém pelas costas, isso era coisa para assassinos. Após se recompor, ele andou até a garota, com a espada abaixada. Os gritos diminuíram. Seán parou em frente a ela, que continuava séria e com a espada preparada, segurando-a apenas com uma das mãos. A outra mão, posicionada atrás do corpo, reclamava da falta que fazia a segunda espada. Lutar com apenas uma espada realmente não era a especialidade de Melody, pois a garota pirata diminuía consideravelmente a própria defesa e isso a desestabilizava bastante em uma luta.
- Garoto, você tem mesmo boas habilidades. Entretanto você é mudo. Infelizmente não poderá entrar na tripulação do La Viratta. Siga seu caminho.
Os homens não paravam de gritar para o Capitão matar logo aquele garoto. Melody saltou na direção do Capitão, que conseguiu se defender por pouco. Ele ia se defendendo novamente das investidas dela.
- Sinto muito, rapaz – dizia ele entre uma batida de espada e outra. – Não é só de força física que precisamos no navio.
Ela não parava de atacá-lo. Os dois, então, recomeçaram a dança por todo o salão da taverna. Quebraram canecas, cadeiras e até uma mesa meio torta que estava num canto, esquecida, com um vaso de flores mortas em cima. A roupa mais ou menos requintada do Capitão girava no ar enquanto os trapos de Melody furtivamente se movimentavam acompanhando e escondendo o corpo da garota. A luta que parecia bela, divertida e acrobática agora estava tensa e agressiva.
Girando pelo lugar, o Capitão e Melody duelavam perto dos barris de carvalho. Saltando do alto da mesa dos fundos, a pirata se abaixou, arrastando-se pelo chão até o Capitão, dando-lhe uma rasteira. O Capitão saltou, mas cometeu um erro: uma parte da decoração da manga do casaco que vestia se enroscou na torneira de vinho de um dos imensos barris que ficavam no fundo da taverna. Ele ia virar para se soltar quando, finalmente, Melody mira a ponta da espada no pomo de Adão do Capitão. Os olhos cor de mel estavam incisivos. Por alguns segundos pensou em se aproveitar e matar o traidor logo de uma vez, mas ela abaixou a espada. Muitos estavam boquiabertos. Alguns perguntavam a si mesmos se isso faria daquele grumete o Capitão do La Viratta.
- Estás admitido na tripulação, Mário – disse o Capitão, que finalmente conseguiu arrebentar a manga do casaco e se soltar, o que quebrou a torneira do barril de vinho. Seán colocou a espada no pescoço da garota, se aproximou do ouvido dela e sussurrou. – Decerto és um homem hábil entretanto colocar a ponta da tua espada em meu pescoço não significa que és corajoso, muito menos significa que és o Capitão do navio.
O Capitão guardou a espada emprestada de Melody na bainha dela e seguiu na direção do local privativo. Os homens começavam a se amontoar onde caía vinho do barril de carvalho, acotovelando-se para ver quem bebia mais. O taverneiro reclamou com o Capitão que prontamente pagou o barril inteiro com algumas moedas de ouro.
- Capitão, sobre Peter... – disse Ultan quando o Capitão passava por ele.
- Ultan, faça como quiser – responde o Capitão, irritado. – Venha Murphy, venham meninas...
Murphy seguiu para a área privativa da taverna juntamente com as garotas e o Capitão, fazendo um sinal debochado de “ok” para Phil. As mulheres sorriam para os dois enquanto eles entravam e fechavam as cortinas." (pgs 62 a 67)


Espero que estas partes tenham apimentado um pouco a vontade da leitura.

Abraços!

Priscilla


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